Por que estudar História? — Parte 1

13/09/2007

Este será o primeiro post que escreverei sobre esta fascinante ciência. Serão pequenos ensaios despretensios sobre a importância da História para a humanidade, sem linguagem e forma acadêmica, por isso não me aterei a datas nem a informações muito precisas. Meu objetivo não é escrever a acadêmicos ou estudiosos da área, mas, sim, esclarecer ao público em geral da utilidade desta ciência.

I
Introdução

Aposto 50 “pratas” como todo professor de História já ouviu a pergunta do título pelo menos uma vez na vida. E, infelizmente, aposto outras 50 “pratas” como muitos ou não souberam responder, ou não deram uma resposta convincente ou, ainda, se enrolaram para responder. Por experiência própria sei que muitos graduandos do curso de História não sabem responder. Isto me deu uma idéia de fazer uma pesquisa em várias universidades fazendo esta pergunta aos graduandos. Quem sabe um dia a faça. Mas enfim, refazendo a pergunta: para que estudar História?

Comecemos por esclarecer um pequeno mal entendido que muita gente tem sobre História: ela não é uma ciência que serve para estudar o passado pura e simplesmente. É uma ciência humana, logo, tem por princípio estudar o ser humano, neste caso o ser humano e sua relação com a época em que vive/viveu, ou, ainda, estudar sua ação no decorrer do tempo. E agora, com qual objetivo estuda-se isso? Bom, antes de dizer qual o objetivo, preciso dizer que o ser humano tem, por natureza, curiosidade em relação ao seu passado. Todos — ou quase — gostam de tirar fotografias dos momentos importantes e/ou filmá-los, ou seja, o ser humano tem essa forte ligação com seu passado, com sua memória individual ou coletiva. Quando não existiam máquinas fotográficas nem filmadoras, as palavras escritas eram usadas com esse objetivo. Com o desenvolvimento da escrita, o uso de diários, principalmente entre as mulheres, era recorrente nas classes mais abastadas, guardando aí a memória individual. O antigo testamento da Bíblia cristã foi escrito para que os israelenses não esquecessem a vida sofrida de seu povo. Quando não existiam palavras escritas, a palavra falada era utilizada. Os primeiros grupamentos humanos baseavam-se na cultura oral, na qual os anciões eram respeitados por saberem de fatos antigos da tribo, e assim passavam aos mais novos, que passavam aos mais novos sucessivamente, para que a história da tribo não fosse esquecida.

II
Aprendendo com os antepassados

Mas será que essa tendência de não querer esquecer o passado existe de graça? Ou seja, ela nasce com a gente sem movito? Na minha opinião, não. Por que a história da tribo não poderia ser esquecida? Qual o interesse em fazer com que os mais jovens soubessem dela? Não serei categórico aqui, mas um dos motivos é o aprendizado. Com a história contada pelos anciões, os mais jovens aprendiam com os erros e acertos de seus antepassados e, desta maneira, errariam menos e teriam uma possibilidade maior de sucesso nas tentativas de fazer a tribo crescer, sem perder tempo em “testar” algo que já fora “testado” pelos seus antecessores. Exemplificando a questão, foi na base da tentativa, erro e observação que se chegou à conclusão de qual a melhor época para o plantio das determinadas culturas. Se esse conhecimento não fosse repassado às próximas gerações, elas teriam que fazer o mesmo sistema de tentativa, erro e observação geração após geração. Algo cansativo e sem sentido, e que não daria margem para a evolução das técnicas. Esta é basicamente uma das principais utilidades da História: a possibilidade de olharmos para o passado, vermos nossos erros e acertos, corrigir e aperfeiçoar os erros e acertos e olhar para o futuro.

Continua num próximo post…

Atualização (26/03/2008)

Devido ao grande acesso deste artigo proveniente do google, quem tiver interesse no assunto e quiser informação mais aprofundada, encontrará nos seguintes livros:

  • Sobre história, de Eric Hobsbawm, especialmente nos capítulos 2, 3 e4: “O sentido do passado”, “O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea” e “A história e a previsão do futuro”.
  • Introdução à História (ou Apologia da História, título presente nas edições atuais), de Marc Bloch. Trata do assunto no capítulo I, “A história, os homens e o tempo”, mas é interessante sua leitura inteira, pois os capítulos seguintes são complentares. É um livro pequeno — a edição que possuo é no formato de bolso e possui cerca de cento e setenta páginas.
  • Que é história, de Edward Hallet Carr. Não trata diretamente do assunto, mas é um livro básico para se entender melhor a ciência História. Também é um livro pequeno, com cerca de cento e cinquenta páginas.

Categoria(s): História
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