Um tema bastante discutido durante o primeiro semestre de minha graduação em História foi o do termo “pré-história”. Ironicamente, esta discussão não se deu durante a cadeira de Pré-história, mas, sim, na de Teoria e Metodologia da História I, na qual se busca a reflexão do conhecimento histórico e das diversas correntes historiográficas. Era discutido se o termo “pré-história” seria o ideal para designar aquele período do passado humano anterior ao desenvolvimento da escrita, como aprendemos em nosso primeiro contato com a disciplina, no ensino fundamental. O centro da discussão girava em torno do termo ser pejorativo, ou mesmo errado, pois daria a entender que o que havia anteriormente ao surgimento da escrita não seria considerado história. Esta concepção surgiu dentro de uma perspectiva positivista da história, na qual se acreditava que apenas a análise profunda dos documentos escritos poderia comprovar as hipóteses formuladas nos estudos históricos.
História não é arte, mas uma ciência pura [...] a busca dos fatos é feita pela observação minuciosa dos textos, da mesma maneira que o químico encontra os seus em experiências minuciosamente conduzidas. (Fustel de Coulanges, citado em O Positivismo, Os Annales e a Nova História) [grifo meu].
No século XX os historiadores perceberam essa limitação dentro da História e buscaram novos caminhos. A Escola dos Annales foi o primeiro movimento com o intuito de quebrar essa rigidez. Logo vieram a Nova História, bifurcação da Escola dos Annales, a História Cultural, a História Social, etc. Todas elas procuraram inserir métodos de outras ciências humanas — Antropologia, Geografia, Psicologia e Sociologia — dentro da perspectiva de análise histórica.
A ciência histórica é, grosso modo, aquela que procura pesquisar o passado tendo como objeto o ser humano e suas ações, logo, desde o surgimento do homem até os dias atuais e futuros. Portanto, não deixa de ser um paradoxo a utilização do termo “pré-história”. Apesar de muitos acadêmicos não considerarem este termo o ideal para designar o período pré-escrita, ele ainda é largamente utilizado. Ou seja, o termo ainda é utilizado, mas não da forma como foi concebido.
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