Linux para o usuário básico de computador

16/09/2007

Há algumas semanas li este post de autoria de Flavio Furlan no qual ele, em dado momento, questiona alguns membros da chamada comunidade open source, principalmente do Linux, e para isso cita uma frase que encontrou em um fórum:

Linux: para quem não tem preguiça de aprender.

Pode não ter sido a intenção do autor da frase, mas concordo com o autor do post de que esta frase tem uma certa arrogância embutida, e sua leitura me fez voltar a refletir algo que penso sobre tudo isso. Acredito que a maioria dos entusiastas do Linux quer que cada vez mais pessoas passem a utilizá-lo como sistema operacional. Ele é, hoje em dia, o carro chefe do movimento open source, em que vários usuários de vários pontos do planeta ajudam no desenvolvimento de softwares de código aberto. O princípio básico desta filosofia é o da cooperação. Interpreto, também, segundo esta filosofia, que sempre há alguém que sabe mais do que você, portanto, não hesite em pedir ajuda — é para isso que os fóruns existem. Mas há quem usa o Linux e é “adepto” desta filosofia mas não a entendeu até agora. Para este tipo de pessoa parece que há uma competição, na qual o mundo do Linux e do software livre é somente para os dignos de conhecimento, ou para aqueles que “não têm preguiça em aprender”.

Realmente, quem quiser instalar ou usar o Linux hoje em dia pode precisar de disposição para correr atrás de informações para deixar o sistema funcionando 100%. Mas a maneira como a frase foi escrita generaliza demais a questão. Se compararmos ao Windows 9x, por exemplo, muitas das distribuições hoje são infinitamente mais fáceis de usar. E mesmo assim ele foi um sistema popular, talvez pela falta de competitividade, não sei, mas esta é outra discussão. Não era necessário “não ter preguiça” para aprender a usá-lo. Quem nunca teve problemas ao instalar os famosos softmodens e acabou pedindo ajuda?

O fato é que o usuário final quer um sistema fácil de usar, que tenha o máximo de automatização sem a necessidade de entrar em linhas de comando e coisas do tipo, até porque, quem não usou a dobradinha DOS e Windows 3.x, não tem a mínima noção de trabalhar com linhas de comando. Cito minha experiência própria, em que meu conhecimento em DOS permitiu que tivesse noção de como trabalhar com a linha de comando do Linux, pois a estrutura é basicamente a mesma, só precisei aprender os comandos.

Desde que comecei a ouvir falar em Linux tive interesse em usá-lo, pelos seguintes motivos:

  • o fato de ser um software livre. Na época ainda não entendia muito bem a filosofia, mas já buscava alternativas freeware à Microsoft e aos softwares pagos. Por exemplo, usava o Opera para navegar na Internet e o Arachnophilia para fazer meus websites.
  • a famosa estabilidade — que não é famosa à toa. Quem usou o Windows 9x sabe qual é a sensação de enfrentar a famosa tela azul com bastante freqüência.

A primeira vez que tentei instalá-lo foi em 1998, se não me engano, com um CD da revista PC Master que trouxe ou o Conectiva ou o Red Hat Linux. Na época ele já estava começando a se popularizar, as distribuições já davam sinais de querer melhorar a interface e deixar o lado do usuário mais prático. Mas ainda assim era uma tarefa complicada instalá-lo. Lembro de não ter conseguido configurar o modem e a placa de som, mesmo depois de penar muito, o que me fez desistir de usá-lo.

O Windows XP evoluiu muito no quesito “aparecimento da tela azul” — ao menos nunca ocorreu comigo — mas ainda é um sistema bastante instável, o que me fez, novamente, procurar o Linux, muito mais popular agora. Depois de enfrentar alguns problemas de compatibilidade de softwares com a versão 64 bits do Ubuntu, agora sou um satisfeito usuário da versão 32 bits. Mas tive que entrar algumas vezes na velha linha de comando para configurar a placa de vídeo e instalar alguns softwares. Portanto, se já é difícil algum usuário básico querer utilizar o Linux, e se, quando bate a vontade, precisa fazer algo do tipo, volta para o Windows por dois motivos:

  1. lá ele já tem noção de como se faz as coisas;
  2. qual o sentido de aprender algo novo se no Windows ele tem tudo aquilo de que precisa? Seria algo como reinventar a roda.

Para falar a verdade, a maioria dos usuários não está nem aí se está usando Windows ou Linux, estes usuários querem mesmo é algo que os permita navegar na Internet, entrar no Orkut, ler e enviar e-mails, digitar trabalhos, conversar no messenger, jogar, etc. Não é, portanto, questão de preferência, é questão de praticidade. É disso que as distruibuições Linux precisam, ninguém é obrigado a aprender algo que não quer para poder usar a Internet ou digitar um trabalho de faculdade.

Concluindo: para o Linux ser mais popular, não se deve esperar que as pessoas vão até ele, ele tem de ir às pessoas. Como? Esse já é um outro assunto.

Categoria(s): Geeknópolis
Tags: , , , , ,

« Três tipos de pessoas
Anonimato na Internet »
Nenhum comentário »

Nenhum comentário até o momento.

 

Gostaria de comentar algo?
Sugerimos a leitura dos modos de uso para esclarecimentos sobre a política de comentários e privacidade do blog. Seu e-mail não será publicado.
Caso queira que uma imagem sua apareça ao lado de seu comentário, cadastre-se com o mesmo e-mail que costuma comentar no Gravatar.