Blindness e diários de produção

12/09/2007

Recentemente soube que Fernando Meirelles — diretor de Domésticas, o filme (uma cena), Cidade de Deus e The constant gardener — está escrevendo um blog sobre a produção do filme Blindness, baseado no livro Ensaio sobre a cegueira, de autoria do escritor português José Saramago. Com a criação do blog o diretor permite ao leitor acompanhar não só o status da produção como, principalmente, como anda sua impressão sobre a realização do filme, já que ele não escreve de forma analítica e deixa transparecer muito daquilo que está em sua cabeça no momento da gravação das cenas e mesmo em outros momentos fora da gravação. Para se entender a magnitude da coisa, colo alguns trechos do blog, nas palavras do próprio Fernando no primeiro post, sobre como tudo começou:

O Ensaio Sobre a Cegueira foi publicado no Brasil em 97 ou 98. Li o livro quase numa sentada e por uma semana aquelas imagens e a idéia de que tudo está por um triz me fizeram companhia.
[...]
Num impulso, sem ter a mínima idéia de como adaptaria aquele romance, liguei para o Luis Schwarcz, o editor brasileiro do José Saramago, e pedi que ele consultasse o autor sobre seu interesse em vender os direitos para uma adaptação cinematográfica. A resposta veio rápida: nenhum interesse.
[...]
Em junho recebi um e-mail de um produtor canadense, que eu não conhecia, me perguntando se eu já havia lido José Saramago e se teria interesse em uma adaptação de um dos seus romances. Para ser simpático respondi: manda. Três dias depois, chegou em um envelope com um roteiro em inglês. Era Blindness, o Ensaio Sobre a Cegueira.
Devem existir milhares de diretores no mundo. O que fez com que aquele texto viesse cair justamente em minhas mãos? Essas coincidências são assustadoras.

É difícil não se identificar com o que ele escreve, com a sinceridade de suas palavras.

Quando um jornalista me perguntou, durante o Festival de Toronto, como seria o filme, me dei conta de que não tinha nada muito sólido para responder. Menti que não contaria para não estragar a surpresa.

Do Saramago só li A caverna, gostei bastante, apesar de ter demorado algum tempo para lê-lo, já que foi na época em que a faculdade estava mais puxada, então tinha outros textos e livros para ler. Espero bastante deste filme, e espero que Meirelles não siga o livro à risca — apesar do roteiro não ser de sua autoria, embora ele irá alterar alguma coisa. Caso não siga o livro à risca prevejo inúmeras críticas contra o filme por não ser “fiel” ao livro. Há pessoas que não entendem que cinema e literatura são duas artes distintas, com linguagens diferentes. Curto e grosso: o cerne do cinema é a imagem em movimento, e o da literatura, a palavra, logo, uma história contada através de palavras tem de ser modificada quando contada de outra maneira. Mas isso é conversa para outro post.

* * *

Ainda no assunto sobre diários de produção, indico outro blog, o do filme Um romance de geração, longa dirigido por David França Mendes, roteirista de O caminho das nuvens (trailer), que tem tudo para ser um filme sensacional.

É isso aí, au revoir.

Categoria(s): Cinema
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