O gosto pelo sensacionalismo

29/04/2008

Assistindo nos telejornais a repercussão do caso Isabella Nardoni, tenho visto o despudor da população na ávida busca por informações. Muitas pessoas protagonizam cenas patéticas, como o caso do senhor que levou sua família para um “belo” programa de domingo: assistir à reconstituição do crime.

Filmes como “Faces da morte”, vídeos de assassinatos, suicídios e acidentes multiplicando-se pela internet, curiosos em volta de um acidente automobilístico — quanto mais grave o acidente, maior é o número de curiosos — são exemplos de como esse desejo é presente na sociedade contemporânea. Mas este sentimento não é novo para a humanidade.

As execuções públicas tinham a função de “educar” a população a não cometer crimes e eram assistidas por praticamente toda comunidade. E ninguém era obrigado a isso.

Sem falar quando a morte era motivo de entretenimento:

Coliseu de Roma

Minha pergunta: é natural do ser humano o anseio por imagens tão impactantes? E por que isto sempre esteve tão inerente ao ser humano no decorrer destes milênios? Segundo as teorias psicanalíticas, não temos controle sobre esse desejo. A psicanálise pode até explicar como acontece o processo do interesse por estes assuntos, mas não explica a origem. Se Freud tinha razão, eu não sei, mas é curioso observar a batalha entre o superego e o id — o consciente-repressor e o inconsciente — no que tange os assuntos sensacionalistas. Acredito que muitos já presenciaram cenas de pessoas horrorizadas com a cena de algum acidente, mas mesmo assim não deixavam de assistí-lo inúmeras vezes.

Mas por que diabos esse desejo habita o inconsciente?

Categoria(s): A vida, o universo e tudo mais, Atualidades
Tags: , , ,

« “Cada um na sua, mas com nada em comum”
Manchester bate o Chelsea na Champions League »
Nenhum comentário »

Nenhum comentário até o momento.

 

Gostaria de comentar algo?
Sugerimos a leitura dos modos de uso para esclarecimentos sobre a política de comentários e privacidade do blog. Seu e-mail não será publicado.
Caso queira que uma imagem sua apareça ao lado de seu comentário, cadastre-se com o mesmo e-mail que costuma comentar no Gravatar.