Assistindo nos telejornais a repercussão do caso Isabella Nardoni, tenho visto o despudor da população na ávida busca por informações. Muitas pessoas protagonizam cenas patéticas, como o caso do senhor que levou sua família para um “belo” programa de domingo: assistir à reconstituição do crime.
Filmes como “Faces da morte”, vídeos de assassinatos, suicídios e acidentes multiplicando-se pela internet, curiosos em volta de um acidente automobilístico — quanto mais grave o acidente, maior é o número de curiosos — são exemplos de como esse desejo é presente na sociedade contemporânea. Mas este sentimento não é novo para a humanidade.
As execuções públicas tinham a função de “educar” a população a não cometer crimes e eram assistidas por praticamente toda comunidade. E ninguém era obrigado a isso.
Sem falar quando a morte era motivo de entretenimento:

Minha pergunta: é natural do ser humano o anseio por imagens tão impactantes? E por que isto sempre esteve tão inerente ao ser humano no decorrer destes milênios? Segundo as teorias psicanalíticas, não temos controle sobre esse desejo. A psicanálise pode até explicar como acontece o processo do interesse por estes assuntos, mas não explica a origem. Se Freud tinha razão, eu não sei, mas é curioso observar a batalha entre o superego e o id — o consciente-repressor e o inconsciente — no que tange os assuntos sensacionalistas. Acredito que muitos já presenciaram cenas de pessoas horrorizadas com a cena de algum acidente, mas mesmo assim não deixavam de assistí-lo inúmeras vezes.
Mas por que diabos esse desejo habita o inconsciente?
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