Mercadante paga o pato

28/09/2007

Abstenção não significa absolvição, certo? Pois é, mas atualmente parece que sim. O Senador Aloízio Mercadante assumiu seu voto de abstenção contra a cassação de Renan Calheiros, explicou por que e é feito bode expiatório. Um dos críticos foi o Senador Gerson Camata, do PMDB, que chamou Mercadante de “gay cívico”. Um Senador da República que cunha uma expressão infeliz destas não merece o cargo que possui — além de ser um grande filho da puta — mas está lá. Ele pode ser escroto na vida privada o quanto quiser, mas, publicamente, tem de agir de acordo com o cargo que ocupa. Engraçado é ver muitos dos nossos Senadores da República criticando o voto de Mercadante e não assumindo o seu próprio.

Li por aí muita gente criticando seu voto, mas, ao invés de criticá-lo, porque ninguém se ocupa em encontrar aqueles que votaram pela não-cassação de Renan? Porque o voto era secreto e seria muito trabalhoso, né? E como ninguém quer fazer esforço, vão pelo mais fácil. Um dos adjetivos usados contra ele é o de covarde. Logo, segundo nossa querida sociedade brasileira, é preferível que, na dúvida, assuma qualquer opinião, mas não confesse a dúvida. É mais ou menos como na escola, onde ninguém entende a explicação do professor, mas quando alguém afirma isto é motivo de chacota:
— Você não entendeu? Hahahaha, seu palerma… (também não entendi).

Como diria um primo meu, “Brasil pra ti”. Só aqui mesmo para uma pessoa que age com coerência e de acordo com seus princípios para ser criticada e ridicularizada.

Categoria(s): Atualidades
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